domingo, 11 de janeiro de 2009
Localização de usuários por meio do celular ganha precisão
Luiza 23/12/2008
ESTE TEXTO FOI COPIADO INTEGRALMENTE DE:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=localizacao-usuarios-pelo-telefone-celular-precisao&id=010150081223
Um trabalho realizado na Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveu um novo algoritmo que confere excelente precisão à localização de usuários por sistema celular.
O sistema de localização já é usado nos Estados Unidos e na Europa em situações de emergência e também para prestação de serviços personalizados pelas operadoras de telefonia, mas a margem de erro pode atingir um raio maior do que 50 metros.
Localização pelo celular
Para a localização, costuma-se usar três estações fixas (torres) que enviam o sinal. Pelo tempo de propagação até chegar ao usuário, calcula-se a distância e, a partir da intersecção entre as três circunferências, obtém-se a sua localização.
Uma localização 100% exata só poderia ser feita em condições ideais, em que não houvesse barreiras físicas para propagação das ondas. Entretanto, obstáculos como montanhas, prédios e construções refletem as ondas, ocasionando um espalhamento do sinal e ampliando assim seu tempo de propagação. Esse efeito influi no resultado dos
cálculos da distância.
Algoritmo de localização
"O que fiz foi propor uma nova solução das equações, utilizando um algoritmo que permite obter uma estimativa de localização mais exata", explica o engenheiro eletricista Sergio Forcellini, autor da pesquisa. Além de reduzir o raio localização para valores menores do que 50 metros em 70% das medidas em ambientes urbanos, o mesmo algoritmo pode ser utilizado para rastreamento em qualquer tipo de rede celular, seja CDMA, TDMA ou GSM.
Para chegar a este resultado, Forcellini realizou simulações em uma ferramenta computacional baseada num modelo de propagação chamado COST-259. Além disso, foi adotada a "Filtragem de Kalman", método de correção já existente que também minimiza o erro médio na localização. No COST-259 foram estimados os fatores de correção utilizados na equação de localização tanto para ambientes urbanos típicos quanto rurais, e também para usuários parados ou em movimento dentro de um automóvel.
Serviços personalizados
A localização de usuários por celular é extremamente útil em situações de emergência médica e policial. Além disso, as operadoras podem utilizar este sistema para oferecer serviços personalizados aos seus clientes.
É possível, por exemplo, identificar a posição geográfica de um usuário para indicar estabelecimentos comerciais próximos como bares, cinemas e restaurantes, ou mostrar a sua própria sua localização na cidade.
O sistema também permite revelar num aparelho a posição de outro celular, caso os dois autorizem - o que pode ser bastante útil para pais preocupados que desejem saber onde estão os filhos.
Rastreamento de frotas pelo celular
Outra utilidade é o rastreamento de frotas, que hoje é feito pelo sistema GPS (Global Positioning System). "Por enquanto, o sistema GPS é mais vantajoso, por ser baseado em satélites, permitindo uma cobertura total - sem as áreas de sombra da rede celular.
Mas com a ampliação da rede e do número de torres, futuramente esta pode ser uma nova utilidade para a localização pelo sistema celular", sugere o pesquisador.
Brasil está desperdiçando seu potencial eólico
Thiago Romero
08/01/2009
ESTE TEXTO FOI COPIADO INTEGRALMENTE DE:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=brasil-desperdica-seu-potencial-eolico&id=010115090108
Mais de 71 mil quilômetros quadrados do território nacional, em sua quase totalidade na costa dos estados do Nordeste, contam com velocidades de vento superiores a sete metros por segundo, que propiciam um potencial eólico da ordem de 272 terawatts-hora por ano (TWh/ano) de energia elétrica.
Trata-se de uma cifra bastante expressiva, uma vez que o consumo nacional de energia elétrica é de 424 TWh/ano, aponta estudo publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física, de autoria de pesquisadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Potencial eólico brasileiro
"Os números do potencial eólico brasileiro foram estimados com os mesmos modelos de previsão de tempo e estudos climáticos. Como esses modelos são validados para locais específicos das diferentes regiões do país, esse potencial eólico pode estar subestimado", disse Fernando Ramos Martins à Agência FAPESP.
Mas, segundo ele, com as informações disponíveis atualmente, levando em conta todas as dificuldades inerentes aos altos custos da geração de energia eólica, é possível afirmar que apenas o potencial da energia dos ventos do Nordeste seria capaz de suprir quase dois terços de toda a demanda nacional por eletricidade.
Matriz energética brasileira
"O problema é que, atualmente, o índice de aproveitamento eólico na matriz energética brasileira não chega a 1%. A capacidade instalada é muito pequena comparada à dos países líderes em geração eólica. Praticamente toda a energia renovável no Brasil é proveniente da geração de hidreletricidade", apontou.
Parte dos dados do estudo também foi extraída do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) com o objetivo de fornecer informações para capacitar tomadores de decisão na identificação de áreas adequadas para aproveitamentos eólico-elétricos.
"Os locais mais propícios no país para a exploração da energia eólica estão no Nordeste, principalmente na costa do Ceará e do Rio Grande do Norte, e na região Sul", disse Martins.
Energia eólica no mundo
Além de descrever a evolução do aproveitamento da energia eólica no mundo, os pesquisadores do Inpe trazem no artigo dados inéditos sobre a situação atual do uso desse recurso para geração de eletricidade em diferentes países.
Segundo o estudo, o setor de energia eólica tem apresentado crescimento acelerado em todo o mundo desde o início da década de 1990. A capacidade instalada total mundial de aerogeradores voltados à produção de energia elétrica atingiu cerca de 74,2 mil megawatts (MW) no fim de 2006, um crescimento de mais de 20% em relação ao ano anterior.
"Enquanto o Brasil explora menos de 1% de sua energia eólica, países como Alemanha, Espanha e Noruega utilizam por volta de 10%", disse Martins, lembrando que a conversão da energia cinética dos ventos em energia mecânica é utilizada há mais de três mil anos.
Em 2006, o Brasil contava com 237 megawatts (MW) de capacidade eólica instalada, principalmente por conta dos parques na cidade de Osório (RS). O complexo conta com 75 aerogeradores de 2 MW cada, instalados em três parques eólicos com capacidade de produção de 417 gigawatts-hora (GWh) por ano.
Fonte de energia limpa.
O pesquisador do CPTEC aponta ainda que, dentre as fontes energéticas que não acarretam a emissão de gases do efeito estufa, a energia contida no vento também demonstra potencial para atender à segurança do fornecimento energético no país.
"Políticas nacionais de incentivos estão começando a produzir os primeiros resultados, a exemplo do Proinfa [Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica]. Espera-se um crescimento da exploração desse recurso nos próximos anos no Brasil", disse Martins.
O Proinfa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, foi criado em 2002 para a diversificação da matriz energética nacional. O programa estabelece a contratação pelas empresas de uma parcela mínima de energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, entre as quais energia eólica e a energia proveniente de pequenas centrais hidrelétricas.
Base de dados dos ventos
Martins destaca ainda duas iniciativas do CPTEC que têm dado suporte científico à produção de informações sobre os recursos eólicos no território brasileiro. Entre os esforços mais recentes, explica, estão a base de dados do Projeto Sonda, um sistema de coleta de dados de vento operado e gerenciado pelo centro.
O objetivo do projeto, que tem dezenas de estações de coleta de dados eólicos com medidores instalados em diversos estados brasileiros, é disponibilizar informações que permitam o aperfeiçoamento e a validação de modelos numéricos para estimativa de potencial energético de fontes renováveis.
O levantamento dos recursos de energia eólica no Brasil também vem sendo realizado pelo projeto Solar and Wind Energy Resources Assessment (Swera), conduzido pela Divisão de Clima e Meio Ambiente do CPTEC, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Toda a base de dados gerada até o momento pelo Sonda e pelo Swera, que terá sua segunda fase iniciada no começo de 2009, está disponível para acesso gratuito no site dos projetos.
"Essas bases de dados são extremamente úteis para a definição de políticas junto ao setor energético nacional e para o desenvolvimento de projetos de pesquisa científica sobre a temática do aproveitamento de recursos energéticos. Os resultados obtidos até o momento demonstram o potencial do país no que diz respeito à disponibilidade dos recursos renováveis", afirmou Martins.
Além de apresentar uma revisão dos conceitos físicos relacionados ao emprego da energia cinética dos ventos na geração de eletricidade, o artigo descreve ainda os aspectos dinâmicos dos ventos e detalhes sobre a circulação atmosférica na Terra, incluindo os fatores que influenciam a velocidade e direção dos ventos nas proximidades da superfície.
Bibliografia:
O aproveitamento da energia eólica
F.R. Martins, R.A. Guarnieri, E.B. Pereira
Revista Brasileira de Ensino de Física
Vol.: 30 n.1
DOI: 10.1590/S0102-47442008000100005
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
SCRIB
OLÁ pessoal depois de muito tempo sem postagem (pra variar) estava em vendo meu e-mail quando um deles era um alerta automático do Gmail, nele tinha um link para um livro cujo meu professor (o nome dele em o alerta) escreveu compartilhadamente um capitulo de um livro, achei o livro muito interessante, mas o que me chamou mais atenção foi onde este livro estava hospedado, em um sitio denominado SCRIB, se meu inglês não me trair quer dizer ESCRIBA, povo judeu dos tempos de Jesus que era o povo que dominava as leis e a escrita, trazendo para hoje seria os ESCRITORES, onde reforça que a minha tradução esteja próxima da exatidão, é um sitio onde vc faz o upload de seus textos, livros, apostilas, manuais e etc.
O sitio é em inglês, procurei nas configurações não achei nem um lugar para mudar o idioma para o nosso velho e difícil português (mais isso já é outra história), mas não há muita dificuldade não, vc pesquisa o assunto e alista de resultados aparece na língua digitada.
Hoje foi a minha primeira experiência no SCRIB. Mais detalhes estarei acrescentando em futuras postagens.
Haaaaa esqueci de falar este sitio também funciona como REDE SOCIAL, vc pode convidar amigo e ter uma lista e pode também interagir em comunidades, seria um ORKUT “cientifico”, já que este é o meu interesse nos textos ali hospedados.
Estou disponibilizando um livro muito interressante sobre O CICLO DO NITROGENIO
O NITROGÊNIO E O CICLO DO NITROGÊNIO
O NITROGÊNIO E O CICLO DO NITROGÊNIO. Prof. Dr. Luiz Antonio Gallo Depto. Ciências Biológicas As plantas requerem certo número de elementos além daqueles que obtém diretamente da atmosfera (carbono e oxigênio sob a forma de dióxido de carbono) e da água do solo (hidrogênio e oxigênio). Todos estes elementos, com exceção de um, provêm da desintegração das rochas e são captados pelas plantas a partir do solo. A exceção é o nitrogênio, que representa 78% da atmosfera terrestre. Embora as rochas da superfície terrestre constituam também a fonte primária de nitrogênio, este penetra no solo, indiretamente por meio da atmosfera, e, através do solo, penetra nas plantas que crescem sobre ele. Entretanto, a maioria dos seres vivos é capaz de utilizar o nitrogênio atmosférico para sintetizar proteínas e outras substâncias orgânicas. (Ao contrário do carbono e do oxigênio, o nitrogênio é muito pouco reativo do ponto de vista químico, e apenas certas bactérias e algas azuis possuem a capacidade altamente especializada de assimilar o nitrogênio da atmosfera e convertê-lo numa forma que pode ser usada pelas células. A deficiência de nitrogênio utilizável constitui muitas vezes, o principal fator limitante do crescimento vegetal. O processo pelo qual o nitrogênio circula através das plantas e do solo pela ação de organismos vivos é conhecido como ciclo do nitrogênio. Fig. 1. absorção do Nitrogênio por plantas noduladas e não noduladas. (Buchmam et al. 2000) 1 Amonificação. Grande parte do nitrogênio encontrado no solo provém de materiais orgânicos mortos, nos quais existe sob a forma de compostos orgânicos complexos, tais como proteínas, aminoácidos, ácidos nucleicos e nucleótides. Entretanto, estes compostos nitrogenados são, em geral, rapidamente decompostos em substâncias mais simples por organismos que vivem nos solos. As bactérias saprófitas e várias espécies de fungos são os principais responsáveis pela decomposição de materiais orgânicos mortos. Estes microrganismos utilizam as proteínas e os aminoácidos como fonte para suas próprias proteínas e liberam o excesso de nitrogênio sob a forma de amônio (NH4+ ). Este processo é denominado amonificação. O nitrogênio pode ser fornecido sob a forma de gás amoníaco (NH3), mas este processo ocorre geralmente apenas durante a decomposição de grandes quantidades de materiais ricos em nitrogênio, como numa grande porção de adubo 2 ou fertilizante. Em geral, a amônia produzida por amonificação é dissolvida na água do solo, onde se combina a prótons para formar o íon amônio. Nitrificação Várias espécies de bactérias comumente encontradas nos solos são capazes de oxidar a amônia ou amônio. A oxidação do amoníaco, conhecida como nitrificação, é um processo que produz energia e a energia liberada é utilizada por estas bactérias para reduzir o dióxido de carbono, da mesma forma que as plantas autotróficas utilizam a energia luminosa para a redução do dióxido de carbono. Tais organismos são conhecidos como autotróficos quimiossintéticos (diferentes dos autotróficos fotossintéticos, como as plantas e as algas). As bactérias nitrificantes quimiossintéticas Nitrosomonas e Nitrosococcus oxidam o amoníaco dando nitrito (NO2-): 2 NH3 + 3O2 2 NO2- + 2 H+ + 2 H2O O nitrito é tóxico para as plantas superiores, mas raramente se acumula no solo. Nitrobacter, outro gênero de bactéria, oxida o nitrito, formando nitrato (NO3-), novamente com liberação de energia: 2 NO2- + O2 2 NO3- O nitrato é a forma sob a qual quase todo o nitrogênio se move do solo para o interior das raízes. Poucas espécies vegetais são capazes de utilizar proteínas animais como fonte de nitrogênio. Estas espécies, que compreendem as plantas carnívoras, possuem adaptações especiais utilizadas para atrair e capturar pequenos animais. Digerem-se, absorvendo os compostos nitrogenados e outros compostos orgânicos e minerais, tais como potássio e fosfato. As plantas carnívoras em sua maioria são encontradas em pântanos, que são em geral fortemente ácidos e, portanto, desfavoráveis ao crescimento de bactérias nitrificantes. Assimilação do nitrogênio Uma vez que o nitrato se encontra no interior da célula, é novamente reduzido a amônia. Este processo de redução requer energia, em contraste com o processo de nitrificação, que envolve oxidação (do NH4+) e liberação de energia. Os íons amônio formados pelo processo de redução são transferidos a compostos carbonados para produzir 3 aminoácidos e outros compostos orgânicos nitrogenados. Este processo é conhecido como aminação. A incorporação do nitrogênio em compostos orgânicos ocorre, em grande parte, nas células jovens e em crescimento das raízes. As etapas iniciais do metabolismo do nitrogênio parecem ocorrer diretamente nas raízes; quase todo o nitrogênio que ascende no xilema do caule já se encontra sob a forma de moléculas orgânicas, principalmente aminoácidos. Formação dos aminoácidos Os aminoácidos formam-se a partir de íons, amônio e cetoácidos. Os cetoácidos são geralmente produtos da fragmentação dos açúcares. A figura abaixo mostra a reação global pela qual um cetoácido se combina ao amônio para formar um aminoácido. O principal aminoácido formado desta maneira é o ácido glutâmico (figura 1). O ácido glutâmico é o principal transportador de nitrogênio na planta. Além dos aminoácidos produzidos pela aminação de um cetoácido, outros são formados por transaminação. A transaminação é a transferência do grupamento amino (NH2) de um aminoácido para um cetoácido, formando outro aminoácido. A figura abaixo mostra a formação da alanina pela transferência do grupamento amino do ácido glutâmico para o ácido pirúvico. A planta, quer por aminação ou transaminação (Figura 2)é capaz de sintetizar todos os aminoácidos necessários a partir do nitrogênio inorgânico. Os animais são capazes de sintetizar apenas cerca de 8 dos 20 aminoácidos necessários, devendo adquirir os outros por meio da alimentação. Por conseguinte, o mundo animal depende totalmente do reino vegetal para suas proteínas, bem como para seus carboidratos. Figura 2: Isoenzimas da GS e Gogat. (Buchmam et al 2000) 4 Outros compostos nitrogenados Outros importantes compostos orgânicos nitrogenados incluem as nucleótides, tais como ATP, ADP, NAD e NADP: a clorofila e outras moléculas orgânicas semelhantes com anéis de porfirina: e os ácidos nucleicos ADN e ARN. Muitas das vitaminas, com o grupo das vitaminas B, contém nitrogênio. Estas substâncias, como os aminoácidos, podem ser sintetizadas pelas plantas a partir do nitrogênio inorgânico, mas devem ser obtidas das plantas pelos animais (Figura 4) Outra grande diferença entre plantas e animais na manipulação do nitrogênio consiste na capacidade das plantas de reciclar o amoníaco ou o amônio. Os animais são incapazes de reciclar estes produtos de degradação do metabolismo do nitrogênio e, em conseqüência, os compostos nitrogenados são constantemente excretados na urina, fezes, suor e mesmo lágrimas. Embora ocorra alguma perda de nitrogênio nas folhas que caem das plantas, apenas pequenas quantidades dele são excretadas pelo corpo da planta. De fato, a excreção de grandes quantidades de materiais de degradação de qualquer espécie é apenas típica dos animais. 5 Perda de nitrogênio Conforme observamos, os compostos nitrogenados das plantas clorofiladas retornam ao solo com a morte das mesmas (ou dos animais que delas se alimentaram), sendo reprocessados pelos organismos e microrganismos do solo, absorvidos pelas raízes sob a forma de nitrato dissolvido na água do solo e reconvertidos em compostos orgânicos. Durante o decorrer deste ciclo verifica-se sempre uma “perda” de certa quantidade de nitrogênio, no sentido de se tornar inutilizável para a planta. Uma das principais causas desta perda de nitrogênio é a remoção de plantas do solo. Os solos cultivados exibem freqüentemente um declínio constante no conteúdo de nitrogênio. O nitrogênio pode ser também perdido quando a parte superficial do solo é decapitada pela erosão ou quando sua superfície é destruída pelo fogo. O nitrogênio é também removido pela lixiviação; os nitratos e nitritos, que são anions, mostram-se particularmente suscetíveis à lixiviação pela água que se infiltra através do solo. Em alguns solos, bactérias desnitrificantes decompõem os nitratos e liberam nitrogênio para o ar. Este processo que fornece à bactéria o oxigênio necessário para a respiração é dispendioso em termos de necessidades energéticas (isto é, o O2 pode ser reduzido mais rapidamente que o NO3-) e ocorre extensamente apenas nos solos com deficiência de oxigênio, isto é, nos solos que são mal drenados e, portanto, pobremente arejados. Algumas vezes, uma alta proporção do nitrogênio presente no solo não é disponível para as plantas. Esta imobilização ocorre quando existe excesso de carbono. Quando substâncias orgânicas ricas em carbono, mas pobres em nitrogênio, a palha é um bom exemplo, se encontram em abundância no solo, os microrganismos que atacam estas substâncias precisarão de mais nitrogênio do que contêm a fim de utilizar totalmente o carbono presente. Em conseqüência, não utilizarão apenas o nitrogênio presente na palha ou material semelhante, mas também todos os sais de nitrogênio disponíveis no solo. Conseqüentemente, este desequilíbrio tende a normalizar-se à medida que o carbono é fornecido sob a forma de dióxido de carbono pela respiração microbiana, e à medida que aumenta a proporção entre nitrogênio e carbono no solo. Fixação do nitrogênio 6 Conforme podemos ver, se todo o nitrogênio que é removido do solo não fosse constantemente reposto, praticamente doa a vida neste planeta desapareceria finalmente. O nitrogênio é reabastecido no solo pela fixação do nitrogênio (figura3). A fixação do nitrogênio é o processo pelo qual o nitrogênio gasoso do ar é incorporado em compostos orgânicos nitrogenados e, assim, introduzido no ciclo do nitrogênio. A fixação deste gás, que pode ser efetuada, em graus apreciáveis, por apenas algumas bactérias e algas azuis, é um processo do qual dependem atualmente todos os organismos vivos, da mesma forma que todos eles dependem, em última análise, da fotossíntese para a obtenção de energia. Uma a duas centenas de milhões de toneladas métricas de nitrogênio são acrescentadas à superfície terrestre a cada ano pelos sistemas biológicos. O homem produz 28 milhões de toneladas métricas, cuja maior parte é utilizada como fertilizantes; no entanto, este processo é efetuado com alto custo energético em termos de combustíveis fôsseis. A quantidade total de energia necessária para a produção de fertilizantes de amônio é atualmente estimada como equivalente a 2 milhões de barris de óleo por dia. De fato, calcula-se que os custos da fertilização com nitrogênio estão atingindo o ponto de lucros decrescentes. As culturas tradicionais em áreas tais como a Índia não atingem uma produção significativamente aumentada com a utilização de fertilizantes com nitrogênio, tendo baixas necessidades deste elemento, mas estão sendo atualmente substituídas por “cereais milagrosos” e outras culturas que não produzem mais com fertilização com nitrogênio - justamente numa época em que tal tratamento está se tornando proibitivamente dispendioso. Das várias classes de organismos fixadores de nitrogênio, as bactérias simbióticas são, incomparavelmente, as mais importantes em termos de quantidades totais de nitrogênio fixado. A mais comum das bactérias fixadoras de nitrogênio é Rhizobium, que é um tipo de bactéria que invade as raízes de leguminosas (angiospermas da família Fabaceae ou Leguminosae), tais como trevo, ervilha, feijão, ervilhaca e alfafa. Os efeitos benéficos das leguminosas sobre o solo são tão óbvios que foram reconhecidos há centenas de anos. Teofrasto, que viveu no terceiro século a.C. escreveu que os gregos utilizavam culturas de feijão para enriquecer os solos. Nos locais em que as leguminosas crescem, certa quantidade de nitrogênio “extra” pode ser liberada para o solo, 7 onde se torna disponível para outras plantas. Na agricultura moderna constitui prática comum alternar uma cultura não leguminosa, como o milho, com uma leguminosa, como a alfafa. As leguminosas são então colhidas para feno deixando as raízes ricas em nitrogênio, ou ainda melhor, são aradas novamente no campo. Uma boa colheita de alfafa, que é recolocada no solo, pode fornecer 450 quilogramas de nitrogênio por hectare. A aplicação dos elementos vestigiais, cobalto e molibdênio, exigidos pelas bactérias simbióticas, incrementa grandemente a produção de nitrogênio se estes elementos estiverem presentes em quantidades limitantes, como em grande parte da Austrália. Microrganismos fixadores de nitrogênio de vida livre As bactérias não simbióticas dos gêneros Azotobacter e Clostridium são capazes de fixar o nitrogênio. Azotobacter é aeróbico, ao passo que Clostridium é anaeróbico; ambas são bactérias saprófitas comuns encontradas no solo. Calcula-se que elas fornecem provavelmente cerca de 7 quilogramas de nitrogênio por hectare de solo por ano. Outro grupo importante inclui muitas bactérias fotossintéticas. As algas azuis de vida livre desempenham também um papel importante na fixação do nitrogênio. São cruciais para o cultivo do arroz, que constitui a principal dieta de mais da metade da população mundial. As algas azuis podem desempenhar também um importante papel ecológico na fixação do nitrogênio nos oceanos. A distinção entre fixação do nitrogênio por organismos de vida livre e simbióticos pode não ser tão rigorosa como se pensava tradicionalmente. Alguns micróbios ocorrem regularmente no solo, ao redor das raízes de certas plantas que eliminam carboidratos, consumindo estes compostos e, ao mesmo tempo, fornecendo indiretamente nitrogênio para as plantas. As associações simbióticas entre bactérias normalmente de vida livre, como Azotobacter, e as células de plantas superiores em culturas de tecido induziram seu crescimento num meio artificial carente de nitrogênio. Figura 3 : Formação do nódulo (Buchmam et al 2000) 8 Figura 4: Assimilação do Nitrogênio por organismo fixador do N2. 9 Outras fontes de nitrogênio O nitrogênio gasoso pode ser oxidado pelos relâmpagos e arrastado para o solo através da chuva. A água pluvial pode carrear algumas vezes, amônia que escapou na atmosfera. As medições realizadas numa estação experimental na Inglaterra, durante um período de 5 anos, mostraram que a água da chuva levou 7,1 quilogramas de nitrogênio por hectare por ano. 10 SOLOS E AGRICULTURA Os elementos essenciais ao crescimento das plantas constituem apenas uma pequena proporção dos solos mais férteis, conforme podemos observar no Quadro 1. Os minerais mais comuns dos solos derivam do alumínio e do silício, mas estes, embora desempenhem um papel na manutenção dos elementos essenciais, não contribuem diretamente para a nutrição dos vegetais. Quadro 1 - Concentrações e quantidades dos elementos essenciais em solos agrícolas representativos. Elemento Essencial Porcentagem no Solo Ferro 3,5 Potássio 1,5 Cálcio 0,5 Magnésio 0,4 Nitrogênio 0,1 Fósforo 0,06 Enxofre 0,05 Manganês 0,05 Boro 0,002 Zinco 0,001 Cobre 0,0005 Molibdênio 0,0001 Em situações normais, os elementos presentes no solo recirculam, tornando-se novamente disponíveis para o crescimento das plantas. Conforme discutimos anteriormente, as partículas de argila de carga negativa são capazes de ligar íons positivamente carregados, tais como, por exemplo Ca2+, Mg2+ e K+. Os íons são removidos das partículas pelas raízes da planta, quer diretamente, quer após passar na solução do solo. Em geral, os cátions exigidos pelas plantas estão presentes em grandes quantidades nos solos férteis e as quantidades removidas por culturas simples são pequenas. Entretanto, quando uma série de culturas cresce num determinado campo e quando os nutrientes são continuamente removidos do ciclo pela sua colheita, alguns cátions (comumente o potássio) podem esgotar-se a tal ponto que se torna necessário adicionar fertilizantes contendo o elemento ausente. 11 O nitrogênio e o fósforo podem constituir também fatores limitantes sob condições de agricultura devido, em grande parte, à colheita das plantas. Por conseguinte, o nitrogênio, o fósforo e o potássio são os três elementos mais comumente incluídos nos fertilizantes comerciais. Os fertilizantes são geralmente rotulados com uma fórmula que indica a percentagem de cada um destes três elementos. Por exemplo, um fertilizante 10-55 é um fertilizante que contém 10% de nitrogênio, 5% de ácido fosfórico e 5% de potássio. Outros elementos essenciais são por sua vez limitante em solos cultivados, embora sejam necessários em quantidades muito pequenas. SUMÁRIO A terra é formada de cerca de 90 elementos de ocorrência natural, sendo os mais comuns o oxigênio, silício, alumínio e ferro. Os elementos são encontrados sob a forma de minerais. Um mineral é uma substância inorgânica que ocorre naturalmente, cuja composição química é definida. As rochas são misturas de minerais. O solo é formado pela desagregação das rochas e consiste de uma porção inorgânica e uma porção orgânica. O horizonte A do solo contém a maior parte da matéria orgânica, tanto viva quanto morto, bem como as partículas minerais mais altamente desagregadas. No horizonte B observa-se a presença de fragmentos minerais, com pouca matéria orgânica. composto de rocha relativamente pouco decomposta. Sabe-se que as plantas superiores requerem um total de 16 elementos para seu crescimento normal. Destes, o carbono, o hidrogênio e o oxigênio provêm do ar e da água. O restante é absorvido pelas raízes sob a forma de íons. Estes 13 elementos são algumas vezes classificados em macronutrientes e micronutrientes. cloro, cobre, manganês, zinco, molibdênio e boro. O sódio é necessário para algumas plantas, e o cobalto é indiretamente essencial para outras. Os elementos minerais desempenham numerosas funções importantes nas células. Regulam a osmose e afetam a permeabilidade celular. Alguns servem como receptores de elétrons, como componentes estruturais das células e como fatores acessórios para os catalisadores ou como componentes estruturais de enzimas. Os macronutrientes são o nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, magnésio e enxofre. Os micronutrientes são o ferro, O horizonte C é 12 Os minerais tornam-se disponíveis na solução edáfica para as plantas sob a forma de íons. Estas utilizam a energia metabólica para concentrar os íons de que necessitam. Alguns dos íons são captados por processos de transporte ativo, ao passo que outros fluem aparentemente de modo passivo, devido aos gradientes eletroquímicos criados pelos íons que se movem ativamente e suas bombas. Numa comunidade natural, os elementos são retirados do solo pelas plantas e, a seguir, retornam a ele quando as plantas ou os animais que delas se alimentam morrem. As associações do tipo micorriza entre fungos e raízes de plantas são importantes no funcionamento deste sistema e na mediação direta da captação dos íons. Sob condições agrícolas, o nitrogênio, o fósforo e o potássio tornam-se, mais comumente, fatores limitantes para o crescimento vegetal; portanto estes elementos são comumente fornecidos ao solo nos fertilizantes. A circulação do nitrogênio através do solo, através dos organismos vegetal e animal e, novamente através do solo, é conhecida como ciclo do nitrogênio. Envolve várias etapas. O nitrogênio alcança o solo sob a forma de material orgânico de origem vegetal e animal. Estas substâncias são decompostas por organismos que vivem no solo. A amonificação, que é a liberação de amônio (NH4+) de compostos nitrogenados é efetuada por bactérias e fungos que vivem no solo. A nitrificação é a oxidação do amônio, com formação de nitritos e nitratos; estas são realizadas por dois tipos diferentes de bactérias. O nitrogênio entra nas plantas quase que totalmente sob a forma de nitratos. No interior delas, os nitratos reduzem-se a amônio. Os aminoácidos são formados pela combinação de amônio com um cetoácido (aminação) ou através da transferência de um grupamento amino (-NH2) de um aminoácido para um cetoácido, dando origem a outro aminoácido (transaminação). Estes compostos orgânicos retornam subseqüentemente ao solo, completando o ciclo do nitrogênio. O solo perde o nitrogênio por remoção das culturas nele instaladas, erosão, fogo, lixiviação e ação das bactérias desnitrificantes. O nitrogênio é fornecido ao solo pela fixação do nitrogênio que consiste na incorporação de nitrogênio elementar em componentes orgânicos. microrganismos. A fixação biológica deste gás é totalmente efetuada por Estes incluem bactérias (Rhizobium), que são simbiontes das leguminosas, bem como bactérias e algas azuis de vida livre nos solos. Na agricultura, as 13 plantas são removidas do solo. Em conseqüência, o nitrogênio e outros elementos não são reciclados, como na natureza, e, portanto, devem ser freqüentemente repostos sob forma orgânica ou inorgânica. Bibliografia: Biochemistry and Molecular Biology of Plants Buchanan, Gruissem, Jones.2000 Am Soc. Plant. Physiology QUESTIONÁRIO 1 - Como é feita a fixação do Nitrogênio atmosférico? 2 - Qual a importância dos microorganismos fixadores de nitrogênio? 3 - Porque se deve repor as perdas de “N” dos solo através de fertilizantes? 4 - De que forma o “N” é transportados pelas plantas? 5 - Quais as principais enzimas responsáveis pela assimilação do “N”? 6 - Quais as principais reações bioquímicas onde esta enolvido o “N”? 7 - Quais os principais compostos onde o “N”é necessário? 14
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
ONDE ESTÃO OS LÍDERES
http://www.administradores.com.br/artigos/onde_estao_os_lideres/24482/
Há muito tempo tenho pesquisado e desenvolvido trabalhos sobre liderança e gestão de pessoas. Neste período presenciei muitas coisas intrigantes sobre o tema. Uma delas é o fato de haver tanto investimento na formação e desenvolvimento de lideranças, mas pouco resultado prático.
Dave Ulrich afirma em Liderança Orientada para Resultados: “o trabalho do líder exige mais do que caráter, conhecimento e ação; ele também demanda resultados”.
Segundo minhas observações e experiência no assunto um fator tem sido primordial para esta falta de resultados e eficácia dos programas de treinamento e desenvolvimento de lideranças: a falta de coragem dos líderes em assumir seu papel.
Um dos pressupostos básicos da liderança é a capacidade de tomar a iniciativa e assumir os riscos. Em outras palavras, o líder é aquele que diante do conflito, da dificuldade ou dos problemas toma a frente e assume a responsabilidade, promovendo as ações necessárias ou dirigindo os esforços dos subordinados para tal feito. Para Kouzes e Posner, “as oportunidades de liderança são na verdade aventuras de uma existência e requerem espírito pioneiro. Começar uma nova empresa, reverter uma operação perdida, melhorar intensamente a condição social, aumentar a qualidade de vida – todos são nobres esforços humanos. Esperar uma permissão para começá-los não é uma característica dos líderes. Agir com senso de urgência, sim”.
O que vemos é um tanto de gente em papel de liderança sem coragem para tomar as decisões necessárias para o bem das empresas, dos funcionários, da sociedade e deles próprios. Efetivamente sem este senso de urgência, de realização. Escondem-se atrás do manto sagrado do trabalho em equipe.
Nos estudos que tenho realizado junto a empresas de pequeno e médio portes, em grande parte, o medo das pessoas em assumir o risco da liderança está relacionada com a auto-estima. Geralmente rebaixada por motivos individuais e coletivos.
Desde criança, em nossa cultura, os pais educam os filhos para não correr riscos. Frases como: “não corra”, “vá devagar para não se machucar”, “não faça isso”, “não faça aquilo” e assim por diante, são constantemente proferidas pelos pais, educadores e outras pessoas próximas. Cria-se um verdadeiro time de covardes.
As atividades coletivas são mais estimuladas que as individuais. As pessoas são estimuladas a não se destacarem individualmente, mas coletivamente. Vemos este tipo de representação nos esportes, nas empresas e em várias atividades sociais. Os que se destacam por seus próprios méritos são rapidamente invejados ou depreciados por não saberem atuar em equipe.
Durante o período escolar são incentivadas a trabalhar em grupo, mas poucas vezes valorizadas por realizações individuais. Quando isso acontece há a desconfiança de privilégios.
Obviamente que é cômodo colocar a culpa somente na família, na sociedade, na escola e em tudo que é externo. Há a parte que cabe a cada um. O fato de ter sido educado para preferir ficar na zona de conforto não significa que devemos nos acomodar a isso. Romper esta barreira emocional criada na infância e na adolescência é o grande desafio. Para isso é preciso conhecer as limitações e qualidades que cada um tem. Quem deseja ser um líder precisa ficar atento a isto e sair do paradigma do “sempre foi assim”. Em resumo, assumir o risco.
Assumir o risco significa, em parte, não ser aceito, não ser compreendido, não agradar a todos, não abaixar a cabeça, não aceitar a mediocridade, o erro e o despreparo. Tudo isso tem um preço a ser pago. Para muitos este preço é muito alto. Pode custar o emprego, a aceitação do grupo, a imagem de boa pessoa e tudo mais.
Lembrando que um dos valores arraigados em nossa sociedade é o de viver bem na coletividade, ser um verdadeiro líder conflita com este estereótipo. Afinal, quem está preparado e predisposto para ir contra este padrão de comportamento?
O verdadeiro líder sabe disso e ainda assim segue em frente. Ele tem a certeza de que seu papel é exatamente o de conduzir aqueles, que por diversos motivos, não tiveram coragem de estar a frente.
Portanto, para ser um verdadeiro líder é necessário conhecer melhor a si mesmo, suas qualidades e fraquezas; transpor as barreiras do medo e da insegurança, trabalhando na sua auto-estima; ter propósitos firmes, porém, com humildade para saber mudar e se adaptar sempre que necessário. Vai encarar? Sucesso!
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
APRESENTAÇÃO DA AGRONOMIA.
ESTE TEXTO FOI COPIADO INTEGRALMENTE DE:
http://www.sobresites.com/agronomia/apresentacao.htm
A Agronomia utiliza contribuições de várias ciências exatas, sociais e econômicas. O arranjo original dessas contribuições lhe confere características próprias. Por meio de seus princípios e procedimentos, a Agronomia se manifesta como um conjunto organizado de conhecimentos. Em razão da multiplicidade de seus objetos de estudo, ela pode ser dividida em muitos ramos, tais como, por exemplo, horticultura, fruticultura, suinocultura e piscicultura.
Os conhecimentos agronômicos se combinam de diversas maneiras para formar vários modelos de pesquisa e ação. A definição e adoção de um modelo dependem notadamente dos objetivos e critérios definidos. Ao longo da história da humanidade, alguns modelos praticados têm estagnado, evoluído ou desaparecido. Tradicionalmente, a concepção e aplicação de modelos eram decididas essencialmente no sentido de garantir o lucro máximo ao produtor e procurar o aproveitamento máximo do meio natural. Mas, nos últimos trinta anos, tem-se desenvolvido e fortalecido, no mundo, uma tendência evidente e cada vez mais forte de elas serem definidas com base na motivação de atender às particularidades do consumidor e à proteção ao meio ambiente. Assim, existem várias formas de combinação de conhecimentos agronômicos, desde as que usam grandes quantidades de insumos químicos até as que respeitam e conservam a natureza.
A aplicação da agronomia apresenta um caráter geralmente local. Seu sucesso depende em grande parte de sua adaptação às particularidades do meio natural e mais especificamente do solo e do clima que variam de uma região à outra. No Brasil por exemplo, o Nordeste é bem diferente do Sul. Os modelos de combinação de conhecimentos agronômicos, usados para fins produtivos, precisam ser escolhidos em função da abundância ou escassez de fatores essenciais a seu uso.
Várias controvérsias têm sido registradas a respeito da eficiência econômica e social de tecnologias ligadas à agronomia. Uma das mais conhecidas se refere à Revolução Verde, denominação dada à introdução de variedades de cereais de alto rendimento (VAR) em países em desenvolvimento. Esta revolução foi realizada na década de 50. As novas variedades de trigo, milho e arroz foram criadas, no México, pelo CIMMYT (Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo) graças a uma subvenção da Fundação Rockefeller. As variedades melhoradas de arroz foram selecionadas, nas Filipinas, pelo IRRI (Instituto Internacional de Pesquisa em Arroz) inicialmente financiado pelas Fundações Ford e Rockefeller e, em seguida, patrocinado pela FAO. Muitos países da Ásia, do Oriente Médio, da África e da América Latina adotaram de maneira significativa essas novas variedades de cereais. A Revolução Verde abrangia não só as variedades melhoradas mas também outros componentes: irrigação e domínio do abastecimento em água e melhor utilização da umidade, fertilizantes, pesticidas e técnicas agronômicas associadas. Ela apresentou resultados técnicos espetaculares, permitindo a alguns países (como a Índia, o Bangladesh e a Indonésia) se transformarem de deficitários em alimentos a exportadores de cereais e acarretando também em outros países (como o Egito e o Paquistão) um aumento considerável no ritmo de produção agrícola. Entretanto, foi muito criticada sobretudo por causa da forte intensificação do uso de insumos agroquímicos que gerou preocupações relacionadas à ecologia e saúde humana.
Hoje em dia, há a questão dos transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGMs). No Brasil, o processo de difusão dos transgênicos no sistema alimentar caracteriza-se, essencialmente, por um embate entre entusiasmo de alguns atores sociais e resistência de outros. De um lado, há os que, motivados pelas promessas de obtenção de uma maior rentabilidade com o cultivo dos transgênicos, acreditam numa possibilidade de aumentar a competitividade da agricultura brasileira no cenário internacional. Por outro lado, há os que, preocupados com os potenciais riscos da biotecnologia moderna, alinham-se a um esforço de resistência coletiva à difusão dos transgênicos na agricultura brasileira. Envolvido nesse assunto, publiquei em 2004, na revista "Caderno de Ciência e Tecnologia", um artigo cujo objetivo foi examinar diferentes aspectos do contexto brasileiro de expansão dessas biotécnicas. Esse artigo caracterizou os desafios do sistema agroalimentar brasileiro em relação ao processo de globalização dos mercados e intensificação dos fluxos internacionais de tecnologia e discutiu as potencialidades da biotecnologia moderna, indicando as possibilidades de seu uso e analisando as condições científicas e tecnológicas do Brasil de promover e sustentar o processo de geração e uso de biotécnicas.
Um aspecto destacado através desse artigo é a importância de profissionais competentes para a sustentação dos processos de enriquecimento da agronomia e de aplicação de conhecimentos agronômicos. A agronomia é uma ciência que evolui. Além da experimentação, o tradicional método de pesquisa agronômica, usa-se atualmente a modelização e o diagnóstico in situ. Com a evolução da agronomia, estão sendo desenvolvidos novos ingredientes, aparelhos, instrumentos e máquinas. Também, multiplicaram-se as instituições que têm atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas à agronomia. Portanto, evidencia-se cada vez mais a necessidade de acesso a informações sobre características e preços dos insumos assim como sobre objetivos, programas e projetos das instituições.
O Guia de Agronomia é concebido para atender a essa necessidade. Ela contem vários tópicos por meio dos quais é possível adquirir conhecimentos agronômicos e se informar de novidades relacionadas à agronomia.
André Yves Cribb
Editor do Guia Agronomia
Pesquisador A
Embrapa Agroindústria de Alimentos